“A ADUFSJ E O SINDS ESTÃO ESCREVENDO A HISTÓRIA DA RESISTÊNCIA”, DIZ LATUFF



Grande homenageado da aula inaugural que marcou o início de mais um semestre letivo remoto na UFSJ, o chargista e ativista Carlos Latuff agradeceu à Seção Sindical dos Docentes (Adufsj) e ao Sindicato dos Servidores (Sinds-UFSJ), durante a live realizada na noite do dia 20/9, pela inauguração da galeria virtual com a série de dez charges que ele compôs para os dois sindicatos neste ano. “Essas charges são documentos históricos que serão usados no futuro, se houver futuro, para a compreensão da tragédia em que vivemos hoje”, afirmou ele, em referência ao governo do presidente Jair Bolsonaro. Segundo ele, a ADUFSJ e o SINDS estão escrevendo a história, a “história da resistência”: “A resistência se faz seja com uma faixa, seja com uma charge, uma música, uma opinião, um escrito, uma foto, uma live, uma matéria”.


Latuff criticou aqueles que, em meio à barbárie nazi-fascista, não querem tomar partido, não querem lutar na trincheira certa, que ela traduz com a da luta anti-fascista. “A isenção, em um momento como este, não é opção, não é escolha”. Segundo ele, essas pessoas serão cobradas pela história. “O artista, neste momento, tem responsabilidades sim, não só de não ser omisso, mas de colocar seu trabalho a serviço da transformação”, afirmou.



A professora da UFSJ e artista Zandra Miranda, apresentou os projetos desenvolvidos pelos artistas locais, junto aos dois sindicatos e aos movimentos sociais que integram a Frente Fora Bolsonaro, para exemplificar como a arte tem sido o esteio das lutas na região. “O apoio da Adufsj e do Sinds valoriza o nosso ‘artevismo’ no movimento Fora Bolsonaro”, afirmou.


A jornalista Claudia Santiago, coordenadora do Núcleo Piratininga de Comunicação (NPC), o maior coletivo de jornalismo sindical e popular do país, destacou o quanto a arte foi fundamental para que enfrentássemos a pandemia da covid-19 e o desgoverno Bolsonaro, com a volta da fome, as mortes evitáveis e a desesperança.


Segundo ela, é preciso valorizar a arte do povo e usá-la como estratégia para reunir as pessoas e discutir política. A jornalista incitou os dirigentes a montarem corais, cineclubes, feiras de artesanato e, com estas iniciativas, conversar com a categoria sobre os problemas que a afligem e que, muitas vezes ela nem sequer suspeita.


Com base em exemplos históricos diversos, Cláudia mostrou como a arte e a comunicação sustentam as revoluções e as resistências mundo afora, sempre unidos, imbricados. “O que seria do jornalismo sem as artes? O jornal sem diagramação ninguém lê, o podcast sem música ninguém ouve.... a gente respira arte o tempo todo”, ressaltou.