AVANÇAM DISCUSSÕES PARA CRIAR COMISSÃO DE GESTÃO DE CONFLITOS NA UFSJ




O Sinds-UFSJ segue trabalhando na elaboração da proposta de minuta de resolução para criação de uma Comissão de Gestão de Conflitos na Universidade Federal de São João del-Rei. O projeto surgiu como resultado final do Curso de Gestão de Conflitos que foi oferecido pelo sindicato, de maneira remota, durante a pandemia da Covid-19.

Denilson Carvalho, coordenador do Sinds-UFSJ, explica que o sindicato queria que as demais categorias da universidade se apropriassem e contribuíssem com a elaboração da proposta. Por isso, atualmente, além do Sinds-UFSJ, a Seção Sindical dos Docentes da UFSJ (ADUFSJ – Seção Sindical), o Diretório Central dos Estudantes (DCE) e o Coletivo Severinas estão envolvidos no processo de aprimoramento da resolução.

“Além de trabalhar para a melhora da resolução em si, nós estamos trabalhando para trazer o debate sobre a necessidade da resolução para a casa, para a UFSJ. Para começar a discussão, vamos promover uma campanha sobre questões de assédio moral, conflitos nas relações de trabalho, discussão sobre racismo… Vamos começar um debate de informação, de campanha, de conscientização”, explica Denilson.

O coordenador do Sinds-UFSJ destaca que essas discussões são importantes para preparar a universidade para receber a proposta de resolução quando ela estiver pronta para ser apresentada ao Conselho Universitário (Consu).

O Sinds ainda irá apresentar a proposta de minuta de resolução para sua base em assembleia. A expectativa é de que o projeto possa ser encaminhado ainda em 2020 para ser pautado no Conselho Universitário (Consu).

“Hoje em dia, não existe um espaço que cuide satisfatoriamente dessas questões, a ouvidoria não dá conta”, avalia o coordenador.

Representação

A presidenta do DCE, Raquel Camacho, aponta que a relação e articulação entre os representantes dos técnicos, estudantes e docentes tem sido constante desde o início das discussões sobre o ensino remoto e que a realização dessa campanha conjunta faz com que todos sejam ouvidos e conversem de igual para igual, já que até o momento as discussões e decisões entre os grupos têm sido horizontais.

Com relação a elaboração da minuta de resolução, a contribuição do DCE veio do entendimento que, no ambiente acadêmico, os estudantes também estão vulneráveis a situações de assédio e constrangimento em diversas esferas, seja por conta de relações de poder, seja por questões de raça, gênero, orientação sexual, classe e outros.

“O que trouxemos de mais diferente dentro do que eles já estavam propondo foi a questão do preconceito contra pessoas com deficiência funcional. Isso acontece muito, mas ainda é um público bem invisibilizado”, cita a presidenta do DCE.

Ela reforça que o objetivo da campanha é justamente trazer esse assunto à tona para mostrar que, apesar do momento único e histórico que está sendo vivido, a pandemia da Covid-19, esses tipos de agressão e assédio continuam acontecendo, uma vez que eles nunca pararam realmente.

Além disso, é importante preparar a comunidade acadêmica para que a apresentação da minuta de resolução no conselho não seja algo novo para a maioria das pessoas.

“Sempre vai ter retaliação, sempre vai ter alguém achando que não é necessário discutir isso, alguém que vai dizer, como já aconteceu em reunião do Conselho Superior, de que não é questão de racismo, que não é bullying, ou seja, de desmerecer ou diminuir uma coisa que acontece e que machuca”, salienta Raquel.

Violência contra a mulher

O Coletivo Severinas já estava pesquisando sobre como poderia fazer para que fosse implementada uma ouvidoria especializada nos casos de violência contra mulher no âmbito universitário. Desde junho, o grupo já vinha pesquisando sobre resoluções parecidas em outras universidades e sobre como se deu o processo de implementação.

Ao entrar em contato com a diretoria do DCE, as integrantes do grupo perceberam que já existia esse movimento similar por parte das entidades representativas e passaram a compor esse grupo de trabalho.

“Como mulheres e universitárias, compreendemos a importância de lutar por um ambiente seguro e respeitoso para as mulheres dentro da nossa sociedade. Pensando nisso, foi possível perceber que o ambiente acadêmico não está proporcionando esse espaço adequado para as alunas, professoras, técnicas ou terceirizadas”, afirmam duas das integrantes do coletivo, Rafaela Renó e Laís Barbosa.

Para o Coletivo Severinas, a discussão e o aprendizado sobre racismo, classe e machismo é de extrema importância para se construir um espaço seguro e antissexista às mulheres, e também aos homens, além de colaborar para a desconstrução da sociedade patriarcal e o fortalecimento de mulheres.

Severinas

O Coletivo Severinas é um coletivo feminista, organizado por mulheres estudantes e graduadas pela Universidade Federal de São João del- Rei (UFSJ). Atualmente, as ações do grupo se concentram em quatro projetos:

1- Leia Mulheres, clube de leitura destinado ao debate sobre livros escritos por mulheres e aberto ao público, que você pode ser acompanhado pelo Instagram @leiamulheressjdr;

2- Um grupo de estudos, que ocorre toda segunda às 10h30, pensando na importância de uma educação feminista, antirracista e na luta de classes, sendo também aberto a todos que tiverem interesse;

3- A construção de um projeto de extensão, que pensa no acolhimento psicológico de mulheres;

4- a realização de campanhas informativas no instagram, trazendo conceitos que podem auxiliar mulheres a reconhecer condutas agressivas e a compreender como acontecem.

“Como coletivo feminista, reconhecemos nossa responsabilidade em construir debates sobre ser mulher no mundo e utilizamos nossa rede social para isso”, afirma Laís.