EM NOTA OFICIAL, UFSJ SAI EM DEFESA DA VIDA E DA DEMOCRACIA



O Consu, Conselho Universitário da Universidade Federal de São João del-Rei, aprovou nota oficial frente à grave crise sanitária, econômica e social que o Brasil está enfrentando com a pandemia da Covid-19, com os cortes do orçamento público em áreas essenciais como saúde, educação e assistência social, e com os reflexos na economia, principalmente no que diz respeito à população mais vulnerável e com menos recursos.


A nota reafirma o compromisso com a democracia diante da maior crise humanitária da História e alerta para a necessidade de os poderes instituídos e a sociedade civil se posicionarem, com firmeza e pelas vias legais, cobrando “uma atuação legítima do governo brasileiro para conter a crise sanitária que nos assola, abandonando a desinformação e o anticientificismo”.


Uma das proponentes da nota, a professora Maria Clara de Oliveira Santos, do Departamento de Ciências Sociais, destacou que, nesse momento, frente ao agravamento da situação do país, que continua avançando, é importante a comunidade universitária “deixar claro em que lado da História está, deixar claro que a Universidade pública não está silente”, ressaltou.


Maria Clara, que também faz parte da diretoria da Associação de Docentes, ressaltou a necessidade de que a questão seja levada para fora dos domínios da UFSJ, inclusive com repercussão em entidades internacionais e nacionais, como Andifes, a Associação Nacional de Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior.


O conselheiro Denilson Ronan de Carvalho, outro proponente, afirmou que, na sua opinião, essa nota é apenas o começo de uma reflexão: “Acho que está no ponto de não retorno do posicionamento das universidades, das entidades. Essa nota chega no sentido de trazer qual é o nosso posicionamento institucional. Precisamos de mais entidades para fazer esse enfrentamento sob o risco de, no futuro, sermos cobrados, por nossa facilidade diante do momento. Cabe a nós, nesse momento, pensarmos, como conselheiros, como sindicalistas: nós vamos voltar para nossas casas sem nada fazermos? Nós vamos assistir a quatro mil mortos todos os dias, nós vamos assistir a novos cortes nas universidades?, refletiu Denilson, que é também presidente do SINDS-UFSJ.


Cabe a nós, nesse momento, pensarmos, como conselheiros, como sindicalistas: nós vamos voltar para nossas casas sem nada fazermos? Nós vamos assistir a quatro mil mortos todos os dias, nós vamos assistir a novos cortes nas universidades?

Denilson Ronan de Carvalho, da coordenação do Sinds-UFSJ

Angústia e preocupação Durante a reunião, o professor Cristiano Maciel externou sua angústia e preocupação com a atual situação do país. Além de dar apoio ao posicionamento oficial do Consu, ele chamou a atenção para o que classificou como “situação de calamidade civil”, para a qual o país caminha. Segundo ele, não é possível mais suportar tantas mortes, a falência de pequenos empresários e seus funcionários, o desrespeito às instituições, aos centros de pesquisa.


O reitor, professor Marcelo Pereira de Andrade, garantiu que levará o posicionamento do Consu à Andifes. Ele reconhece que o momento é de muita tensão e que é preciso a Universidade estar unida para se posicionar com firmeza naquilo que mais interessa: “Precisamos colocar de lado as diferenças. Nesse momento, temos que tomar o partido da vida humana”, alertou.


Leia a íntegra da manifestação do Conselho Universitário:


NOTA CONSU “O Conselho Universitário da Universidade Federal de São João del-Rei, diante da maior crise humanitária dos nossos tempos, reafirma o seu compromisso com a democracia fixado em seu Estatuto e alicerçado na Constituição de 1988, ao tempo em que reconhece a Ciência como caminho principal para o enfrentamento à pandemia de Covid-19. Nesse momento, é preciso que os poderes instituídos e a sociedade civil exerçam o seu papel e cobrem, pelas vias legais, uma atuação legítima do governo brasileiro para conter a crise sanitária que nos assola, abandonando a desinformação e o anticientificismo. Na contramão da maioria dos países no mundo, a política até o momento implementada tem favorecido a perda de incontáveis vidas, que se avoluma em novos recordes diários de óbitos e um assustador estraçalhamento de nosso tecido social. Enquanto os governos do mundo investem em pesquisa e em medidas de proteção da população, no claro intuito de vencer o vírus da Covid-19, o governo brasileiro promove o desmonte do Estado brasileiro e atua para a disseminação da pandemia, como já demonstrado por estudos de diversas universidades e instituições. Ao mesmo tempo, persegue servidores e serviços públicos dos setores que não lhe batem continência, e o faz ajustando a corda no pescoço do funcionalismo, com congelamento salarial e um orçamento que inviabiliza o SUS e as Universidades em meio à pandemia. Indiferente aos abismos sociais aprofundados pela pandemia, o governo limita-se a reeditar um auxílio emergencial que é insuficiente para conter a pobreza que se instala a olhos vistos no país, enquanto mantém-se preso ao famigerado e impraticável teto de gastos públicos, com vistas a honrar sua submissão à elite financeira. Para além da pandemia e seus efeitos reais, é imprescindível ainda que as universidades mantenham-se vigilantes e tomem medidas efetivas contra a escalada de autoritarismo vista nos últimos dias que, promovida por forças instaladas no corpo do Estado brasileiro, faz alusões e celebrações aos 21 anos do terror que se abateu sobre o país durante o regime civil-militar instituído em 1964. Cabe rememorarmos as vidas perdidas na resistência ao terrorismo de Estado praticado contra brasileiros, afastando de pronto qualquer possibilidade de festejar os anos de chumbo que retiraram a vivência democrática e que legaram violações a direitos, corrupção da máquina estatal e ausência de pluralidade como marcas que até hoje ecoam nos índices de violência e autoritarismo de nossa sociedade. Chegamos a um ponto de inflexão no país, onde todas e todos seremos cobrados acerca do papel que exercemos nesse momento em que nossas posições são demandadas. Diante desta situação, a Universidade não pode se abster de fazer vanguarda crítica, assumindo com a devida intensidade o protagonismo social necessário ao enfrentamento àqueles que apostam em medidas e ações que aprofundam o caos experimentado pelo país atualmente. Impedir qualquer retrocesso institucional é o dever de resistência de nosso tempo. Para tanto, a Universidade Pública mantém-se atenta e ciente de seu papel e de seu compromisso inafastável com o desenvolvimento da sociedade e do país.

Vacina para todos já! Fila única de vacinação! Ditadura nunca mais! Para que não se esqueça. Para que nunca mais aconteça!” Texto e foto: Assessoria de Comunicação UFSJ

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