LIVE APONTA OS DESAFIOS DA PANDEMIA DA COVID-19 EM SÃO JOÃO DEL-REI





Os desafios da pandemia da Covid-19 em São João del-Rei foi o assunto do debate ao vivo e online promovido pela ADUFSJ - Seção Sindical e pelo Sinds-UFSJ na noite da quinta (2). Com um time de profissionais de saúde ligado diretamente ao combate ao novo coronavírus no município, a live abordou temas como a importância do Sistema Único de Saúde (SUS) e das informações seguras para nortear políticas públicas, os cuidados com a saúde mental em tempos de Covid-19 e os novos desafios para as mulheres, entre outros.

O evento contou com a participação do médico e professor do curso de medicina da UFSJ, Américo Calsavara Neto; da médica e docente do curso de medicina da UFSJ, Carmem Marques Lopes; da enfermeira da Secretaria Municipal de Saúde, Priscila Emanuele Peixoto e da médica de família e comunidade, coordenadora do Programa de Residência em Medicina da Família e Comunidade da UFSJ, Tatiana Miranda. O debate foi mediado pela vice-presidenta da ADUFSJ, médica, coordenadora do Obesc e docente do curso de medicina da UFSJ, Ana Pimentel.

Os profissionais de saúde presentes na live também estão atuando nos comitês de enfrentamento da Covid-19, tanto da esfera municipal, quanto da UFSJ. Isso permite que eles tenham acesso a dados e informações mais detalhados sobre a pandemia do novo coronavírus em São João del-Rei. A partir desse ponto foram apontados os desafios e as diversas dimensões da crise provocada pela covid-19.


Importância do SUS

De imediato, no debate, foi destacada a importância do Sistema Único de Saúde (SUS) na coordenação de forças para prevenção e combate aos efeitos da nova pandemia. “No SUS a gente vive esses desafios ao longo dos anos, mas, seguramente, este que nós estamos vivendo agora, na minha vivência prática, é sem dúvida um dos maiores. Estamos aqui para fortalecer ainda mais o SUS”, afirmou Américo Calsavara.

Os participantes realçaram o quanto a atenção primária à saúde é fundamental para as ações coordenadas para o enfrentamento desta crise. “A crise tem três vertentes, que são as principais preocupações nossas. A vertente da saúde, a vertente da educação e a vertente da economia”, destacou Calsavara.

Priscila Peixoto declarou que a pandemia obrigou o município a atuar em várias frentes que foram impostas pela pandemia, como ampliação de leitos clínicos e de UTII, abastecimento de equipamentos de proteção individuais (EPI), insuficiência de testes rápidos e as mudanças de hábitos da população e dos profissionais de saúde. Entretanto ela destaca a atenção primária como prioritária nesse processo.

“Nosso maior desfio, enquanto município, foi a reorganização da atenção básica, da atenção primária. A reorganização dos serviços de estrutura física e a capacitação dos recursos humanos”, ressaltou.

Carmem Peixoto apontou a importância estratégica da atenção primária para fazer frente ao novo coronavírus, através dos acompanhamentos regulares dos agentes de saúde, que estão na ponta de frente da atenção básica.

“A gente faz com que chegue menos gente para os nossos hospitais, para que aqueles que chegarem possam ter uma assistência adequada”, declarou Peixoto. Carmem reconhece a importância do agente comunitário em todo esse processo. “O agente comunitário de saúde talvez seja a maior potência dentro da estratégia de saúde da família. É ele que circula pelo território, é ele que entra dentro dos domicílios. É ele que conhece família por família”, destacou.

Essa visão é compartilhada por Tatiana Miranda, que reconhece que as pessoas que correm maiores riscos na pandemia são as de baixa renda e de baixa escolaridade. Segundo ela, a desigualdade social e racial no Brasil amplia a importância do SUS através do atendimento primário. “A atenção primária é a porta de entrada para as pessoas no sistema de saúde. Esse é o atributo principal das equipes de saúde da família, que é garantir acesso a população. E 75% da população é atendida ai”, explicou Tatiana.


Saúde mental

Os aspectos relacionados a saúde mental, tanto da população quanto dos profissionais de saúde ligados diretamente ao enfrentamento da doença, também foram discutidos na live. A combinação da demanda das pessoas que não tinham problemas mentais e que os adquiriram durante a pandemia, somada à das pessoas que já faziam tratamento, trouxe um peso extra para o sistema, que não tem conseguido dar assistência adequada para essas pessoas, na visão da psiquiatra Carmem.

Ela alerta, também, para a situação delicada vivida pelos profissionais da saúde durante a pandemia. Se em um primeiro momento esses profissionais ficavam mais desestabilizadas emocionalmente e com medo, a partir de certo ponto a tensão e o cansaço passaram a permear o dia a dia dessas pessoas.

“Com o aumento de casos na região, a gente começa a lidar com perdas, com o luto de uma maneira em geral. [...] As pessoas passaram da fase em que havia muito medo, onde predominava o medo, para essa fase onde existe uma preocupação, uma inquietude e um cansaço”, afirmou Peixoto.


Informação segura

Américo enfatizou a importância dos comitês no fornecimento de informações para que as autoridades apliquem as políticas de enfrentamento à Covid-19. Para ele, a observação do comportamento da população durante o isolamento social é fundamental nessas definições e determinam políticas de flexibilização. “A gente observa nessa curva de aceleração o ponto onde a abertura do comércio, a flexibilização para a Onda Branca, impactaram o processo”, explicou.

A partir dessas observações e levando em consideração o fato de que São João del-Rei é a cidade polo da microrregião, são estabelecidos os fluxos de atendimento dos pacientes suspeitos de estarem infectados pelo novo coronavírus. Priscila informa que o fluxo foi criado “avaliando o cenário epidemiológico da nossa cidade e da nossa região e identificando os pontos fortes do município, que seriam a capacidade instalada das casas de saúde”.

A partir dessa identificação foi estabelecido que os 18 Programas de Saúde da Família (PSF) e a UPA seriam portas de entrada para identificação de pacientes portadores da Covid-19, além do centro de triagem instalado na Policlínica do Matosinhos. Todo o estudo foi feito levando em consideração, não somente a população do munícipio, mas os mais de 250 mil habitantes da microrregião, conforme esclareceu Peixoto.


Desafios para as mulheres

Tatiana Miranda demonstrou os desafios enfrentados pelas mulheres durante o isolamento social provocado pela pandemia da Covid-19. Dentre eles, a sobrecarga de trabalho, o aumento da natalidade e da redução do planejamento familiar e, principalmente, a violência doméstica. “Muitas mulheres, antes, utilizavam o momento que o marido saía de casa para trabalhar para poder fazer denúncia, buscar ajuda na comunidade, nas redes de apoio. E isto não está sendo possível”, denunciou Miranda.

Em um momento que os locais de atendimento às mulheres agredidas estão com funcionamento diferenciado, Tatiana destaca a importância de, nesse momento, "refletir sobre a rede de apoio, falar sobre isso nas redes sociais”. Além disso, segundo ela, é importante o envolvimento da sociedade na solução do problema, denunciando e falando “com as mulheres a importância de buscarem ajuda". "É importante a gente estar atenta”, ensinou Miranda.

Sindicato dos Servidores da UFSJ

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