“PROJETO SOCIAL COVID-19” PRESTA ASSISTÊNCIA À POPULAÇÃO EM SITUAÇÃO DE RUA DE DIVINÓPOLIS




O objetivo do edital solidário do Sinds-UFSJ era subsidiar projetos que auxiliem na assistência das populações mais vulneráveis durante a pandemia da Covid-19, nas cidades que abrigam os campi da universidade e região. Nas ações do ‘Projeto Social Covid-19’ é possível perceber, com clareza, esse objetivo sendo atingido.


“Os sindicalizados podem ter a certeza que as doações têm atingido quem precisa, lá na ponta”, afirma o professor associado de Saúde Mental no Campus Centro-Oeste Dona Lindu (CCO), Richardson Miranda Machado.


Ele atua como voluntário, há cerca de 10 anos, em ações voltadas para a população em situação de rua de Divinópolis, no Programa de Educação Tutorial (PET) "Da Loucura à Ciência", do CCO/UFSJ e da ONG Espírita Kardecista Irmão José Grosso.


Ações

O Projeto Social Covid-19 foi contemplado nos dois editais solidários do Sinds-UFSJ. E, segundo o sindicalizado responsável, “foi uma oportunidade que caiu como uma luva” para auxiliar o trabalho já realizado pela ONG, uma vez que a mesma sobrevive de doações e a arrecadação diminuiu com a pandemia da Covid-19.


Com o valor do primeiro edital foram compradas máscaras, álcool gel e itens de alimentação, já que a ONG serve sopa para a população de rua da cidade. “É uma maneira da gente ter contato com eles e estimular a iniciar um tratamento, já que a maioria da população de rua é vítima da dependência química”, explica Richardson.

Nesta segunda etapa do projeto, foram comprados itens de cesta básica para confecção de marmitex para a população em situação de rua.


Uma das voluntárias da ONG, a economista Maria Cláudia Marquês Medeiros, ressalta que, no início da pandemia, o movimento de doações foi intenso. No entanto, com o passar dos meses, as doações foram diminuindo, apesar de a demanda ainda estar mais elevada. “As doações ajudaram a gente a ampliar isso, porque muitas outras casas, no período da pandemia, deixaram de assistir esse pessoal”, explica Cláudia.

Vulnerabilidade

Maria Cláudia ressalta ainda que a pandemia levou “muitas carinhas novas” às ruas de Divinópolis. Pessoas de diferentes grupos também, não necessariamente dependentes químicos, mas trabalhadores informais de outras cidades que foram para o município em busca de oportunidades de trabalho. “Divinópolis foi uma das primeiras cidades a abrir o comércio, por isso muita gente migrou para cá em busca de oportunidade. Já chegamos a ver uma família inteira vivendo em uma barraca”, conta.


Richardson lembra que, no início da pandemia, foi possível perceber nitidamente como a população em situação de rua foi tão fortemente segregada pelo restante da sociedade. “Eles não tinham informação. A grande surpresa que a gente teve foi que eles nem sabiam que estava tendo uma pandemia”, expõe.


Ele recorda também que as pessoas abordadas, desacostumadas a receber cuidados básicos e essenciais, inclusive se sensibilizavam por ter pessoas se “expondo” ao vírus para dar assistência a elas.


“Quando a gente explicava e indicava as medidas de prevenção, eles se mostravam muito receptivos e foi um impulso também para muitos deles aderir ao Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) e até seguir para alguma comunidade terapêutica. Isso porque eles viram que estavam ainda mais vulneráveis durante a pandemia”, ressalta.


Sobre o projeto

Por meio do Programa de Educação Tutorial (PET) do Ministério da Educação, que concede bolsas aos alunos participantes, Richardson encabeça um projeto voltado para a área de saúde mental da população de rua, abordando, principalmente, a questão do uso e abuso de álcool e outras drogas.


A proposta da ONG Espírita Kardecista Irmão José Grosso é oferecer assistência, não somente à população em situação de rua, mas às famílias em situação de vulnerabilidade social de Divinópolis. Atualmente, no que se refere à população de rua, a organização assiste cerca de 100 pessoas espalhadas por diversos pontos da cidade.


Richardson explica que esse número varia muito e que a população em situação de rua da cidade é composta majoritariamente por homens, mas que o número de mulheres vem aumentando nos últimos anos.


Além da distribuição de cestas básicas para as famílias carentes, distribuição de sopa para a população em situação de rua, a ONG oferece cursos gratuitos de inglês e espanhol, um curso de Elétrica Básica Residencial, realiza um bazar mensal e oferece acolhimento psicológico – e espiritual – aos moradores da cidade. A partir do próximo ano, a ONG também contará com uma creche gratuita, para crianças de 0 a 5 anos de idade.