REITORIA SABIA OU NÃO SOBRE A ORIGEM DO REPASSE DE R$ 62,5 MI À UFSJ?



No dia 21 de outubro, o Campus Santo Antônio (CSA), da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), foi palco de uma ação realizada pelo Governo de Minas Gerais que contou com a participação do governador, Romeu Zema (Novo), deputados, prefeitos e políticos da região.


Na ocasião, oficializou-se o repasse de R$ 62,5 milhões à Universidade. No entanto, o evento também foi marcado pelas manifestações de alunos, professores, servidores e membros da comunidade externa, criticando não os repasses em si ou o investimento na universidade pública, e sim a tentativa do governador de fazer politicagem com os recursos recebidos do acordo firmado entre o estado e a mineradora Vale, em decorrência do crime de Brumadinho.


Mesmo após lançar uma nota de “desagravo” (reparação de injúria ou afronta) tentando esclarecer os questionamentos dos manifestantes, entre eles representantes do Sinds-UFSJ, da ADUFSJ - Seção Sindical e do DCE/UFSJ, a reitoria da UFSJ segue se contradizendo na tentativa de se isentar de um posicionamento claro quanto a origem dos recursos recebidos do Governo do Estado.


Em entrevista concedida a uma rádio local no dia 27 de outubro, o reitor da UFSJ, Marcelo Pereira de Andrade, afirmou que a reitoria, mesmo possuindo suspeitas, não poderia confirmar a origem desse recurso, pois não possui acesso à essa informação. O mesmo foi dito tanto pelo reitor quanto pela vice-reitora, Rosy Iara Maciel de Azambuja Ribeiro, em reunião do Conselho Universitário (CONSU), realizada no dia 26 de outubro.


“Nós perguntamos, eles (governo) não atrelam isso as multas. Sabemos que o estado recebeu não só de Brumadinho, mas várias outras multas ambientais que produziram até um superávit em Minas Gerais. Talvez Minas Gerais seja um estado que termina o ano com superávit no momento que o Brasil enfrenta, devido às multas que vieram derivadas de crimes e danos ambientais”, disse Andrade em entrevista.


No entanto, como consta em ata, o próprio reitor afirmou, em reunião do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (CONEP), realizada no dia 20 de outubro, ou seja, às vésperas do evento e da oficialização do repasse, que “o dinheiro é proveniente das indenizações da Vale pela tragédia de Brumadinho, em sua maioria”.


“Cabe ressaltar que ninguém soube explicar até agora porque esses recursos estão sendo distribuídos pelo Governador como se fossem oriundos dos cofres públicos. A falta de democracia e transparência começa aí, na origem e na gestão dos recursos”, apontaram o Sinds e a ADUFSJ em nota.


Os sindicatos frisaram também que não é aceitável que a universidade pública reforce e promova ações que reproduzam uma sociedade injusta, como ocorreu na tarde do dia 21.


O posicionamento completo dos sindicatos está disponível aqui.