SERVIDORES DA UFSJ DEPENDEM DE INTERNET E EQUIPAMENTOS PRÓPRIOS PARA TRABALHO REMOTO, DIZ PESQUISA



O Sindicato dos Servidores da UFSJ (Sinds-UFSJ) divulga, na noite desta quarta (19), o resultado da pesquisa realizada, entre os dias 29 de junho e 21 de julho, para mapear as condições de trabalho dos servidores durante a pandemia de Covid-19.

Na apresentação da pesquisa, o sindicato lembra que, com a suspensão do calendário acadêmico em março, a nova gestão da Universidade Federal de São João del-Rei tem se adaptado ao funcionamento via trabalho remoto, exceto em casos essenciais. No entanto, o sindicato destaca que, muitas vezes, técnicos e terceirizados têm realizado o trabalho remoto sem os equipamentos e condições adequadas.

“Em diversos debates envolvendo o Ensino Remoto Emergencial (ERE), o trabalho dos técnicos e terceirizados foi invisibilizado, tanto nos órgãos colegiados (instâncias deliberativas nas quais os técnicos não possuem representação) quanto nos conselhos superiores”, afirma o Sinds-UFSJ.

Público

Para a pesquisa de mapeamento das condições de trabalho, o Sinds-UFSJ ouviu 322 servidores. Desses, 180 são mulheres, 141 homens e um preferiu não responder.

Resultados

Em relação ao trabalho realizado durante a pandemia, 60% dos entrevistados adotaram o home-office integralmente. Outros 33,5% adotaram o trabalho remoto, mas comparecem ao setor de trabalho esporadicamente. Os que estão em trabalho presencial são 0,6%.

A pesquisa do Sinds-UFSJ destaca que, entre os servidores em trabalho remoto, 53,3% utilizam computadores e outros equipamento pessoais para desempenhar suas funções. Além disso, 41,6% não possuem um espaço físico adequado em casa para trabalhar.

Somente em 9,6% dos casos o setor disponibiliza, integralmente, computadores e outros equipamentos necessários para os servidores atuarem em regime de teletrabalho.

Sobre a internet utilizada para realização do trabalho remoto, 87,3% dos servidores utiliza internet pessoal e paga com recursos próprios.

Para 50,9% dos entrevistados, suas atividades não podem ser realizadas integralmente em regime de trabalho remoto.

Desempenho em home office

Em autoavaliação do desempenho em home office, 66,1% dos entrevistados dizem que não houve mudanças, 20,5% afirmaram que o desempenho caiu e 13,4% relataram ter percebido um desempenho melhor trabalhando em casa.

A pesquisa mostrou também que 67 dos servidores entrevistados reside fora da cidade na qual trabalha, alguns tendo que percorrer até 115 km de casa para o trabalho.

Grupo de risco

Uma das maiores preocupações dos trabalhadores que continuam atuando durante a pandemia tem sido com a exposição de familiares que pertencem ao grupo de risco da Covid-19 - ou seja, idosos e pessoas com comorbidades. Entre os servidores da UFSJ que participaram da pesquisa, 72% fazem parte, moram ou convivem com pessoas do grupo de risco.

Dos 322 servidores entrevistados, 53,7% acreditam que o retorno das aulas de forma remota não acarretará em demandas que não podem ser executadas em home office. Para outros 33,5%, o retorno das atividades acadêmicas pode gerar demandas de trabalho presencial.

Saúde física e mental

De modo geral, os servidores da UFSJ não registraram mudanças significativas de hábitos durante a pandemia. No entanto, 60% dos entrevistados alegam ter sentido sintomas de ansiedade em níveis mais elevados. Além disso, 32% se percebem mais irritados agora que no período pré-pandemia.

Em relação à saúde física, 53% dos entrevistados afirmam que ela se manteve igual. Já 32% relatam que sua saúde piorou durante a pandemia da Covid-19.

O Sinds-UFSJ destaca que os altos níveis de ansiedade entre os servidores estão relacionados ao cenário de incertezas e a dificuldades de adaptação às novas foram de trabalho.

“Recomendam-se ações por parte dos responsáveis para promover mais saúde física e mental aos servidores técnico-administrativos, já que um melhor nível de saúde está fortemente relacionado à bem-estar e melhor capacidade para o trabalho nas demandas da Universidade”, defende o sindicato.


Confira aqui a pesquisa completa.