TRAÇOS DA TRAGÉDIA BRASILEIRA: ADUFSJ E SINDS LANÇAM EXPOSIÇÃO VIRTUAL COM OBRAS DE CARLOS LATUFF



Os sistemáticos ataques do governo Bolsonaro à Universidade Pública e à Ciência, especialmente no contexto da pandemia da covid-19, exigem que os sindicatos de luta inovem o fazer sindical, em busca de novas estratégias para denunciar os perigos que ameaçam conquistas históricas do povo brasileiro.


Dentre as diversas ações empreendidas pela ADUFSJ - Seção Sindical e pelo Sinds-UFSJ com este propósito, uma das que alcançaram maior efetividade foi a parceria com o chargista e ativista político Carlos Latuff para a produção de dez charges que retratassem os sintomas destes tempos.


O resultado foi retrato tão potente do Brasil do governo bolsonaro, que os dois sindicatos resolveram transformá-lo na exposição virtual Traços da Tragédia Brasileira, que será lançada nesta segunda (20), às 19 horas, durante a live Comunicação, Arte e Revolução, que será transmitida pelos canais do Facebook e do Youtube dos dois sindicatos. A galeria virtual ficará exposta nos sites da ADUFSJ e do Sinds-UFSJ.


Latuff expõe que essas dez charges tratam de questões relacionadas à universidade, aos servidores da universidade e também ao contexto nacional, jogando luz sobre os temas que afetam a educação, inseridos no contexto nacional.


“Através dessas dez imagens você consegue contar boa parte da história recente do Brasil, principalmente o (des)Governo Bolsonaro. Isso é um registro histórico, um registro do momento difícil que a universidade está passando, não só a UFSJ, mas as universidades públicas, o ensino público, a cultura e a educação no Brasil”, afirma o chargista.


Ele destaca também que a charge tem uma capacidade de síntese de comunicação muito grande, e que devido a sua facilidade de compreensão, apreensão imediata da mensagem e compartilhamento nas redes sociais, consegue atingir as pessoas de forma muito direta.


Esse pensamento e a avaliação positiva do trabalho realizado são compartilhados tanto pela diretoria da ADUFSJ quanto do Sinds-UFSJ. Ambos acreditam que as charges permitiram a expressão das lutas sindicais através de outras linguagens e defendem o potencial da arte, nesse caso da arte ilustrada, como forma de comunicação engajada e libertadora.


A presidenta da ADUFSJ - Seção Sindical, Jaqueline de Grammont, define essa parceria como “de importância fundamental”, uma vez que o Latuff, além de ser um chargista de renome nacional e internacional, é um ativista político que utiliza seu trabalho para poder criticar e questionar os processos de opressão no Brasil e no mundo.


“Ele conseguiu expressar em imagens, nas charges que ele produziu, o nosso pensamento, as nossas questões, a nossa luta como trabalhadores da educação durante a pandemia”, declara a docente.


O coordenador geral do Sinds-UFSJ, Denilson Carvalho, lembrou que a ideia dessa parceria surgiu de uma percepção comum entre os sindicatos a respeito do impacto que a comunicação por meio de imagens poderia causar, principalmente nas redes sociais. Segundo ele, o resultado foi um sucesso além do esperado, diante do alcance e repercussão das charges e dos temas abordados em cada uma delas.


“Essa questão das charges entra em uma visão que eu pessoalmente tenho de sindicalismo, de que precisamos investir em comunicação, ter uma linguagem comunicacional diversa e ter um sindicato forte também nesse sentido”, disse Carvalho.


O coordenador do Sinds-UFSJ também destaca de maneira positiva a capacidade do chargista Latuff de captar e condensar essas discussões em formas de charges maravilhosas, do ponto de vista estético, e contundentes.