Debate: violência doméstica e isolamento social

As participantes destacaram a importância dos movimentos sociais no combate à violência contra a mulher e a ausência de aparato estatal na promoção de políticas publicas voltadas à proteção, inserção e valorização da mulher na sociedade brasileira.


Dando continuidade ao Ciclo de Debates realizado pela ADUFSJ– Seção Sindical e o Sinds UFSJ, na noite da última quinta-feira (30), foi realizada mais uma transmissão ao vivo com o tema “A violência contra a mulher em tempos de Covid-19 - Situação de São João del-Rei!”. As convidadas abordaram os impactos do isolamento social no aumento da violência doméstica, as subnotificações dos casos, a ausência de aparato estatal de proteção a mulher e o papel dos movimentos sociais e dos projetos extensionistas no auxílio e combate à vulnerabilidade das mulheres.


Quem mediou o debate foi a docente da UFSJ e do UNIPTAN, médica de Família e Comunidade, Tatiana Miranda. O encontro, também contou com a participação da diretora de Formação do Sind-UTE, sub-sede de São João del-Rei, Marina Campos; Inara Pelichek, integrante da coordenação do Fórum de Mulheres das Vertentes, e Bianca Liboreiro, acadêmica do curso de Psicologia da UFSJ, extensionista do Projeto Entre Idas e Vindas/UFSJ, do PET- Saúde, do Observatório de Saúde Coletiva de SJDR, do Núcleo de Estudos em Gênero Raça e Direitos Humanos (NEGAH) e do Fórum Popular de Saúde de SJDR.


Ao abrir a discussão, a médica Tatiana Miranda destacou a realidade mundial, na qual desponta o crescimento conjunto da violência doméstica em meio ao isolamento social ocasionado pela pandemia do coronavírus. “Atualmente existem cerca de 90 países fazendo política de distanciamento social como uma medida para reduzir o contágio da Covid-19 e preservar os sistemas de saúde para que eles consigam atender a todos. Só que o isolamento social vem acompanhado de um outro perigo crescente, declarado como uma pandemia da sombra: a violência contra a mulher. [...] A ONU fez uma projeção de que a pandemia da sombra pode acarretar um aumento de 20% dos casos de violência doméstica ao redor do mundo.” pontuou.


Adiante, em sua exposição, Marina Campos alertou que é preciso compreender as nuances desse da violência “A violência doméstica está para além das relações interpessoais, e é preciso entender que mesmo que a denúncia seja feita por mulheres em uma relação individual específica, a violência é fruto do sistema que subjuga as mulheres, é uma onda de subordinação que está associada ao machismo, racismo e ao patriarcado”. E concluiu: “falar da violência doméstica é falar dessas questões sistêmicas”.


Inara Pelichek, expôs a importância dos movimentos sociais que prestam suporte às mulheres onde há ausência do Estado. “Os movimentos sociais vem pra dar um suporte à mulher na falta do serviço público, mas também, vem denunciar essa falta do serviço, e por mais relevante que seja o trabalho e proximidade que o movimento social tenha, ele não pode pretender substituir o papel dessas instituições, e isso nos obriga a fazer um movimento duplo.”. Pelichek também considerou que o Estado cria mecanismos que dificultam o acesso das mulheres. “Essa dificuldade de acesso ao auxilio emergencial, aliado a dificuldade do acesso aos recursos de proteção a mulher não é por acaso, é proposital, a gente sabe que as pessoas não tem celulares ou acesso à internet, ou mesmo que tenham não conseguem usar a ferramenta e utilizar , essa é uma mazela : distanciar essas mulheres do recurso público” destacou.


A acadêmica Bianca Liboreiro reforçou a linha de atuação extensionista e interdisciplinar dos projetos de que participa, todos em prol das mulheres. “A proposta é discutir questões de violência contra a mulher pensando diversos fluxos: a questão da saúde, assistência social e da segurança dentro do município. O objetivo é pensar estratégias de fortalecimento e articulação dessa rede”, afirmou.


Liboreiro também ponderou que a o problema é reflexo da política de governo de sucateamento do SUS, da SUAS e da Previdência Social.“A gente não está tratando de uma violência como processo extraordinário, temos um desafio que se intensifica diante de um projeto político de Estado. [...] além disso tem cada vez sido mais restrito e atacado os espaços de discussão que são fundamentais:[...] sucateamento do SUS, SUAS e da previdência social, que são essenciais pra pensar na sobrevivência de mulheres, principalmente negras, indígena, quilombolas e ribeirinhas.” pontuou a discente.


A íntegra do debate você assiste aqui: https://youtu.be/Aei6fr1KGVo




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